HC zera fila para transplante de córnea.
(Leia abaixo a reportagem publicada pelo Correio Popular)
O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) zerou sua fila de transplante de córneas. Com isso, os pacientes que necessitam do procedimento têm que esperar apenas o tempo necessário para os exames. Foi o caso da bacharel em letras Taísa Andrade de Souza Silva, de 24 anos.
Vítima de cerotocone, distúrbio que deforma a córnea e leva à perda gradativa da visão, ela fez o transplante no dia 22 de janeiro. “Fazia tratamento na Unicamp há uns seis anos, com lente de contato. Depois que decidimos pelo transplante, esperei apenas uma semana, o tempo indispensável para os exames”, conta.
Taísa diz que já não enxergava nada com o olho esquerdo, por isso a indicação do transplante. “A lente faz a correção do olho direito, mas não funcionava mais para o esquerdo”, explica, animada com a recuperação. “Os médicos me disseram que até estar com 100% de visão leva uns seis meses. Mas, no teste que fiz na semana passada, já enxerguei até a quarta linha. E antes não via nada”, comemora.
Zerar a fila é a meta da Central Nacional de Transplantes, órgão do Ministério da Saúde. Para a responsável pelo Banco de Olhos do HC, a oftalmologista Denise Fornazari, o êxito é reflexo do trabalho da Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Unicamp.
“O aumento efetivo das captações é indispensável para esse resultado positivo”, avalia Denise. Segundo ela, apenas 15% das doações são espontâneas e a grande maioria depende da busca ativa realizada pela organização.
Já para o coordenador da OPO, Helder Zambelli, o mérito é das assistentes sociais do hospital e das campanhas de divulgação na busca ativa de doadores. “O serviço social se engajou nesse processo, são os grandes responsáveis pelo aumento de doações no HC, onde realizam trabalho de campo de maneira efetiva”, afirma. De acordo com Zambelli, o número de doadores de múltiplos órgãos aumentou 30% no último ano, o que leva ao crescimento da cultura da doação, principalmente a de córnea.
Desde 2000, o Centro de Notificação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) passou a distribuir as córneas pelo Sistema Nacional de Transplantes. “As doações são gerenciadas pela Secretaria de Estado da Saúde e enviadas para a Central de Transplantes, que as distribui para as filas regionais”, diz Denise.
No Estado de São Paulo existem quatro filas regionais, na grande São Paulo, em Campinas, em Sorocaba, que abrange a área de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, e em Botucatu.
Hoje, a fila em todo o Estado tem cerca de 190 pacientes, número pequeno comparado às 6.207 cirurgias realizadas no ano passado, o que resulta na rapidez de atendimento e redução de espera. Antes, como a fila era muito longa, os pacientes eram orientados a se inscreverem no início do tratamento. Assim, na eventualidade de complicações, estariam mais próximos à cirurgia.
O Banco de Olhos da Unicamp começou a transplantar em 1991. Desde o primeiro ano, quando foram realizadas 35 cirurgias, até 2008, o HC transplantou 1.568 córneas, das quais 106 no ano passado.
A ginecologista e obstetra Miyo Fukui Assato, de 58 anos, está em contagem regressiva para o transplante de córnea. Ela teve uma úlcera ocular que provocou cerotocone e deformidade na córnea esquerda. E o transplante é a melhor opção. “Só esperei o tempo da cicatrização. Agora, estou apta para a cirurgia, marcada para o dia 11”, diz a médica, que afirma estar tranquila com o procedimento. “Estou ótima. O pessoal é muito experiente e competente. E saio com a expectativa de zerar o problema visual.”
Fonte: Correio Popular
Nenhum comentário:
Postar um comentário