sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Artigo: Walter Feldmann

Serra, Aécio, Montoro, Tancredo

Ao abrir mão da sua pré-candidatura à Presidência, o governador Aécio Neves deixou o governo federal bastante preocupado. Tem bons motivos para se preocupar.

Enquanto o PSDB conta em seus quadros com dois nomes fortes, governadores de dois estados que, juntos, perfazem 1/3 do eleitorado nacional, o PT e seus aliados têm de engolir uma candidata artificial, jamais testada pelas urnas e sem nenhuma experiência administrativa de um estado, sequer de um município. Talvez por isto Dilma não esteja tão preocupada em fundir suas funções como Ministra com uma pré-campanha escancarada e deslavada.

Nervoso, o governo federal e seus aliados querem ditar até o dia e a hora da definição do candidato tucano.

Serra é sério, culto, decente e experiente candidato. Aécio teria sido um sério, culto, decente e experiente candidato.

Nenhum dos dois tem urgente necessidade de apressar suas definições. Por um motivo muito simples: falam por eles as bem avaliadas administrações que estão fazendo em seus estados. Trabalham, realizam, executam e justificam suas funções (sagradas, por sinal, pois para esta função foram eleitos).

Fala por eles um passado de luta pela democracia e a renovação do país, que não começou com o governo Lula, nem com seus aliados, José Sarney, Renan Calheiros e Fernando Collor.
Aécio foi leal, coerente e transparente o tempo inteiro.

Os debates internos que se processam no seio do PSDB propiciam a reflexão e o amadurecimento dos caminhos.

Do outro lado não há debate. Por lá, é Dilma e não tem conversa.

Querem contagiar o lado de cá com essa pressa autoritária?
Lembro, aliás, um belo gesto de um grande homem. Depois da sua lúcida e valente campanha pelas Diretas, Franco Montoro percebeu que, apesar de ser um nome nacionalmente respeitado, Tancredo Neves reunia mais condições para disputar a presidência. O que se revelou uma visão, além de generosa, correta.

À luz destes grandes homens é que nós nos movemos. Quem só tem Dilma que se apresse.

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