No blog do Edmilson Siqueira...
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Se o governo do “doutor” Hélio não aumentar a proposta para os servidores municipais de Campinas, a Prefeitura pode estar iniciando a maior greve de sua história. A adesão do primeiro dia, afetando a Saúde e a Educação foi considerada acima da normal. O fato é que o sindicato, sem os radicalismos do PT e do PC do B que sempre dividiram o movimento, a categoria pode cruzar os braços sem se ver envolvida com este ou aquele partido, sem precisar usar estrelinha no peito ou, de repente, ficar fã de Stalin.
A passeata pelo Centro, ontem, embora deva ter atrapalhado muito o já atrapalhado trânsito de Campinas, foi algo inédito. Eu não me lembro de, no primeiro dia de greve, a categoria conseguir ter um número de adesões suficiente para realizar uma passeata. Claro que não é a maioria dos servidores que entraram em greve. A Prefeitura diz que foram apenas 10%. O Sindicato diz que foram 40%. Mas 10% já seria um número grande para início do movimento que, historicamente, começa muito mais devagar para só engrossar quando há intransigência das autoridades em melhorar a proposta.
E ainda vale a pena ressaltar o ridículo da atitude da Prefeitura de botar aqueles tubos de concreto para atrapalhar a greve. Quem teve aquela ideia de jerico deveria ganhar um pé no traseiro e ir procurar emprego em outra freguesia, de preferência lá pelas bandas de Mato Grosso. O fato é que pegou mal, muito mal a tentativa de barrar uma das entradas do Paço. E mais ridícula ainda foi a desculpa dada pelo secretário de Comunicação, Francisco de Lagos Viana Chagas, de que se tratava de uma obra a ser feita na Rua Barreto Leme. Ainda bem que a Justiça mandou retirar os tubos de concreto.
Outro fato estranho nessa greve: o PT, que tem o vice-prefeito e vários postos importantes na Prefeitura (Secretaria de Transportes, Secretaria do Trabalho) está mostrando sua face traíra. Traíra? Claro, pois se o partido faz parte do governo, não poderia ficar a favor da greve. Se quer apoiar a greve, saia do governo e vá para a oposição. Ficar nos dois, tentando tirar proveito das boquinhas do poder e não perder votos entre os servidores municipais é coisa digna das mais infames agremiações políticas. Mas esse deve ser o novo PT que tomou de assalto Campinas: sem qualquer caráter, disposto a faturar tudo que encontrar pela frente. Só falta agora os petistas que fazem parte do primeiro escalão ou os vereadores na Câmara participarem das assembléias e discursarem a favor da greve e contra “esse prefeito que não atende às legítimas reivindicações dos trabalhadores municipais”. Seria cômico, não fosse totalmente falso.
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