terça-feira, 10 de março de 2009

FHC critica campanha antecipada de Lula

"As regras da democracia servem para todos", diz FH

Brasília (9 de março) - O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso não considera razoável a precipitação, pelo Palácio do Planalto, do processo sucessório, a um ano e meio das eleições presidenciais. E isso justamente quando o Brasil enfrenta uma "monumental crise econômica", que abala todo o mundo. Para ele, a série de viagens e de discursos da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT, precisam ser avaliados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Para quem deveria ser coordenadora do governo, a ministra está sendo apenas uma comunicadora", disse o presidente de honra do PSDB no início da noite desta segunda-feira (9), antes de proferir aula magna no Instituto Brasiliense de Direito Público (IBDP).

COIBIR ABUSOS

Segundo FH, a democracia requer comportamento exemplar dos governantes. "Alguns gestos podem até ser legais, mas não são apropriados", disse. É preferível, a seu ver, que certos abusos sejam coibidos agora para não serem objeto de questionamento futuro, até mesmo após o resultado do pleito. "Uma campanha eleitoral segue cronograma com regras claras, as mesmas para todos os candidatos", ressaltou ele, lembrando que as convenções partidárias só começaram em julho de 2010.

FH informa que as prévias do PSDB rumo ao Palácio do Planalto, caso venham a se realizar, seguirão à risca o roteiro solicitado pelo partido junto ao TSE.O ex-presidente acha que, assim como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o pacote habitacional anunciado por Dilma também não tem consistência. "O PAC é esforço de comunicação, de convencimento pela repetição. Com 2 mil projetos, não tem prioridade alguma.

Pode até ter recursos, mas falta competência", disse, sublinhando que o Avança Brasil, programa de investimentos federais em infraestrutura de sua gestão, reunia 50 grandes obras. "A diferença é que todas andaram, com rigoroso acompanhamento dos resultados".

FH lamenta que o presidente Lula ainda aja como se o país estivesse isolado da recessão global, preferindo se dedicar à escolha antecipada do sucessor. "Se estivesse na Presidência, estaria buscando a convergência democrática, convocando a nação para enfrentar a crise", ilustrou. Além de "tapar o buraco onde se encontra", o Brasil também poderia estar ocupando posição de destaque na coordenação mundial para se encontrar saídas.

O sociológo revelou preocupação com eventuais desdobramentos negativos no restante do mundo das estratégias adotadas atualmente por Estados Unidos e Europa para reativarem suas economias. "O crescente déficit fiscal desses países poderá resultar em inflação ou ataque ao dólar num segundo momento, o que pode nos atingir", disse.

A investigação sobre milhares de escutas telefônicas feitas a mando do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz não preocupa FH. Ele disse que estava pouco se ligando se está sendo grampeado. "Não tenho nada a esconder. Mas ninguém pode ser grampeado sem que o juiz autorize. Se isso ocorreu, tem que ser punido", afirmou. "Cabe ao governo punir os responsáveis se o grampo for ilegal, independentemente da posição política do grampeado", desafiou. "São setores que o governo tem que coibir.

AULA MAGNA
Sob o tema Consolidação da Democracia Brasileira, o ex-presidente explicou a uma numerosa plateia no IDP a evolução dos sistemas e das práticas políticas no país desde o Império até hoje. Ele entende que o país avançou muito, sobretudo nos últimos 20 anos regidos pela atual Constituição.

Mas acha necessário aperfeiçoar a regra eleitoral, que induz baixa coesão partidária, além de fomentar uma cultura nacional em favor das instituições democráticas. "A Justiça Eleitoral, apoiada pelos recursos tecnológicos, conseguiu garantir a limpeza das eleições. Precisamos agora prosseguir com racionalidade e prudência democrática para aproximar eleito de eleitor e evitar manobras feitas a partir do uso dos meios de comunicação de massa", disse.

Fonte: Agência Tucana

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